Ouro Preto mobiliza 15 toneladas de serragem para tradicional confecção de tapetes
Montagem dos tapetes na madrugada da Páscoa transforma as ladeiras históricas em galeria de arte
Ouro Preto (MG) - Ouro Preto se prepara para um dos momentos mais emblemáticos de seu calendário religioso e cultural.
Neste sábado, 4, durante a noite do Sábado de Aleluia e a madrugada do Domingo de Páscoa, moradores e turistas se reúnem para a confecção dos tapetes devocionais.
A tradição, que mobiliza a comunidade em um esforço coletivo, prepara o caminho para a Procissão da Ressurreição, que percorre o trajeto entre as paróquias de Nossa Senhora do Pilar e Nossa Senhora da Conceição.
Para viabilizar a ornamentação das vias históricas, a prefeitura disponibilizou mais de 15 toneladas de serragem colorida.
O material é fruto de uma rede de colaboração que envolve o próprio município e cidades vizinhas, como Catas Altas da Noruega, Ponte Nova e Ubá. Além da serragem, os desenhos ganham formas e texturas com o uso de farinha de trigo, pó de café, flores e cal.
O prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, enfatiza que a atividade é um pilar da identidade local. “É uma tradição consolidada da nossa Semana Santa, unindo a população e os visitantes na confecção desse enfeite que celebra o Domingo de Páscoa”, destaca o gestor.
Herança do século XVIII
A prática de adornar as ruas para a passagem do Santíssimo Sacramento em Ouro Preto tem raízes profundas, datadas de 1733, época do Triunfo Eucarístico.
Ao longo de quase três séculos, o costume evoluiu de uma celebração barroca para uma das expressões mais vivas do patrimônio imaterial mineiro.
Para o padre José Carlos dos Santos, da Paróquia Nossa Senhora do Pilar, o valor da tradição reside na natureza coletiva e efêmera do trabalho.
“Na madrugada, o silêncio da cidade é interrompido pelo som das vassouras e pelas vozes de quem trabalha. Trata-se de um trabalho marcado pela fé e pelo desapego, já que os tapetes são desfeitos pela passagem da procissão”, afirma o pároco.
Pertencimento e Fé
Para quem vive na cidade, a noite de Sábado Santo é sinônimo de memória afetiva. A moradora Aline Monteiro recorda que a prática atravessa gerações de sua família na Rua São José.
"Fazer tapetes é manter viva essa tradição. É uma noite de encontro e criatividade. Embora a arte desapareça na manhã seguinte, a emoção permanece", relata.
O roteiro da procissão, que ocorre ao amanhecer de domingo, é o ponto alto das celebrações. Os tapetes, exibindo símbolos como cálices, pombas da paz e cordeiros, servem de tapete sagrado para o cortejo que liga o Centro Histórico ao bairro Antônio Dias, reafirmando a conexão entre a fé e o conjunto arquitetônico da cidade.
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